“Olhe a testa de um homem para ver quem ele será, e a boca, para ver em quem ele se transformou”.
Ditado chinês.
A forma da boca é desenhada pelos lábios, que devem ser observados pelo retratista tomando como referência, pontos do nariz e de sua situação em relação ao queixo e mandíbula.
Os lábios estão em contato com a face anterior dos alvéolos, dentro da boca. A borda espessa e vermelha dos lábios circunda o orifício bucal, se afinando nos ângulos externos da boca.
O lábio superior é normalmente mais longo e levemente mais proeminente que o lábio inferior.
Abaixo da separação nasal, encontramos o filtro sob a qual se situa a parte mediana do lábio superior, o tubérculo labial, que se adapta entre as duas “almofadinhas” do lábio inferior.
Fisiognomonia da boca
Os lábios, capazes de grandes movimentos, podem sugerir diversas tendências e estados pessoais, de diferentes temperamentos.
Neles podemos ler as paixões, tormentos, tristeza ou felicidade. Quando a boca tem frescor e cor, é um indício favorável, ligado a saúde.
A boca carnuda é sensual e indica expansividade. Quando a boca é fina e fechada, é típica de uma pessoa reservada, ordeira e pontual. Pode indicar, também, uma pessoa de pouco coração, se este fator estiver associado a um rosto severo.
Normalmente, a boca se situa na parte do terço superior do espaço que vai da base do nariz até o queixo. Quando uma boca se situa mais acima, o indivíduo é um intelectual com temperamento fraco, dotado de grande sensibilidade, ou está associado ao mau crescimento da arcada dentária superior.
Quando a boca se situa abaixo do ponto de 1/3, é um sinal de firmeza e franqueza. Quando a boca se situa no meio do espaço (entre o queixo e a base do nariz) pode indicar anormalidade.
Se o lábio superior é proeminente, é um sinal de bondade, é o lábio de um tipo sentimental. Se o lábio inferior é mais proeminente, é um sinal de sensualidade e, por vezes, preguiça.
É um tipo mais passional, irritadiço, dependendo dos outros sinais apresentados pelo crânio. Se ambos os lábios avançam em igualdade, é um indivíduo de tipo leal.
A boca média tem, normalmente, a largura de um olho e meio.
  
À direita: variações em um rosto a partir da frenologia e fisiognomonia.
Traçando uma linha vertical a partir do ângulo da boca podemos classificar o tamanho da boca.
A boca é média se a linha chegar no primeiro 1/4 interno do olho.
Bocas menores do que o tamanho de um olho, são anormais. A boca é grande se a linha vertical chegar na metade do olho.
A boca pequena é, freqüentemente, de um indivíduo tímido.
PRINCIPAIS ERROS NA REPRESENTAÇÃO DA FIGURA HUMANA
Observando as obras dos alunos e artistas, podemos constatar alguns erros freqüentes, que não são difíceis de corrigir, desde que estudemos a anatomia artística.

1) A inserção dos supinadores no antebraço.
Para memorizar: para supinar, ou seja, fazer a súplica, é necessário voltar a palma da mão para cima.
Portanto, os músculos supinadores se originam na região mais inferior, lateral do úmero.
O erro freqüente dos artistas que não estudaram anatomia é o de originar os supinadores na região do cotovelo, no côndilo lateral, quando na realidade, estes se originam acima dele. Este erro provoca uma diferença de linha na leitura da forma.
2) Os ângulos visuais do membro inferior.
Observando o membro inferior em vista posterior, podemos distinguir ângulos característicos: na região posterior do joelho, a forma geral das inserções musculares originam uma linha inclinada.
Na região da panturrilha, a porção medial do músculo gastrocnêmio termina mais abaixo do que a porção lateral deste músculo, criando também a impressão de uma linha inclinada.
Toque sua panturrilha e sinta a diferença. O ângulo formado pelos maléolos lateral (da fíbula) e o medial (da tíbia) na região do tornozelo cria uma linha inclinada, ou seja, em vista posterior, o maléolo medial situa-se em posição mais posterior do que o maléolo lateral em relação ao observador. Se tocarmos a região do tornozelo, percebemos que o maléolo medial situa-se mais adiante do que o maléolo lateral.
3) As inserções dos músculos da cintura escapular.
Alguns conceituados artistas deixam aparecer lacunas nesta região por falta de estudo, sobretudo na região da origem das três partes do músculo deltóide.
4) A posição do polegar em relação ao antebraço.
Certos pintores chegam ao cúmulo de pintar o polegar lateralmente, do lado correspondente à ulna, trocando de lugar com o dedo mínimo. Para não cometer este erro absurdo, lembre-se: o polegar é a antena do rádio.
5) A diferença de pronação e supinação do rádio, sobre a ulna, em relação à rotação umeral.
Existe uma sutileza entre estes movimentos que pode confundir os mais atentos conhecedores de anatomia. Para melhor discernir a posição do úmero, situe a posição do epicôndilo medial em relação ao epicôndilo lateral.
Lembre-se que o medial é a saliência interna, de onde se originam os músculos flexores do antebraço. A cabeça do úmero apresenta posição proximal, ou seja, superior, e medial, ou seja, voltada para dentro.
O espaço existente entre os dois ventres musculares do músculo bíceps braquial situa-se anteriormente ao úmero. Outra maneira fácil de situar a posição umeral é achar onde se posiciona o olécrano (saliência determinante da articulação do cotovelo). Achando o olécrano, podemos deduzir a posição do úmero, pois o olécrano se “encaixa” como uma chave inglesa sobre a superfície inferior e posterior do úmero.
6) A localização da patela.
Localiza-se anteriormente ao fêmur, protegendo sua superfície articular e criando um ponto de apoio elevado para a “alavanca” do músculo quadríceps da coxa e evitando sua sobreposição à tíbia.
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