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A pintura nos questiona e nos leva
refletir sobre que postura tomamos diante da Eucaristia que realizamos
nas missas em nossa comunidade. Com que discípulo, retratado no painel,
podemos no identificar neste momento da nossa vida diante do Cristo que
se oferece como alimento de ressurreição para nós todos os dias que
participamos em comunidade da partilha do pão. Se realmente, conseguimos
entender sua mensagem deixada a cada um de nós e que se encontra na
palavra que escutamos nas leituras realizadas durante as celebrações
eucarísticas, se convertemos as nossas atitudes ao escutar os
ensinamentos de Jesus através de seus sacerdotes nas homilias e se
deixamos nosso coração arder de amor quando recebemos Jesus ressuscitado
na hora em que comungamos dele na Eucaristia.
Sergio Prata utiliza de uma
técnica que é a marca de sua expressão e sensibilidade artística - e que
se encontra em suas reconhecidas obras - que é a pintura bifásica, onde
podemos enxergar elementos diferenciados de acordo com a posição da luz
que é incidida na pintura. E neste mural encontrado na Igreja de Nossa
Senhora Aparecida está a superação de sua obra.
Ao apagarmos as luzes naturais e
acendermos as luzes "negras" podemos ver a transformação do painel. O
mural que, a princípio, retratava o momento da despedida de Jesus Cristo
dês te mundo, se converte na permanência d’Ele no meio de nós através da
presença da luz do Espírito. Do peito do Cristo Jesus aparece a imagem
do Espírito Santo em pomba como faz alusão os santos evangelhos (Mc 1,
10; Mt 13, 16; Lc 3,22) e todos os personagens que participavam do
último momento da ceia recebem a presença do ressuscitado através do
Espírito Santo de Deus que lhe é conferido no Pentecostes. Esta força
de Deus impulsiona a todos os cristãos no mundo e se torna a coroação
daquele que acredita no poder de Cristo Jesus em suas vidas.
Desta forma, os personagens ficam
"cristificados”, ou seja, ungidos com a força de Deus que mudará as
suas vidas e os transformarão em seres cheios da coragem para anunciar o
evangelho de Deus e construir a Igreja Católica Apostólica Romana,
prefiguração do Reino de Deus deixado por Cristo a todos nós.
Um último detalhe deve ser ressaltado
em uma análise mais atenta desta obra de arte. Todos recebem o Espírito
Santo menos Judas Iscariotes, que entrega o Cristo Jesus. Porém, este
permanece junto a pintura, por mais que não esteja incandescido pela luz
do espírito. Este detalhe pode ser de grande importância para o coração
do orante sobre o painel. A figura de Judas fora da graça de Deus mostra
a nossa comunidade como, mesmo sendo chamados a participar da
misericórdia de Deus na Eucaristia, podemos ficar fora de sua graça
pelos nossos gestos ou ações que não conduzem a este Deus de amor.
Não basta ouvir a palavra, não basta
participar da mesa do Senhor, devemos também nos esforçar para que,
mesmo sem ter a plena consciência do que Deus nos chama, nos colocarmos
a disposição da vontade de Deus na comunidade cristã e no mundo. Senão
podemos incorrer no mesmo destino de Judas, que mesmo participando em
tudo junto ao mestre e recebendo mesmo ensinamento que todos, não soube
aproveitar o que lhe foi colocada a tal ponto de produzir uma conversão
de vida que o pusesse solidário aos apelos do Mestre e de dos irmãos. E
por isto, não cabendo em si a oportunidade de ser iluminado pela força
criativa e eterna do amor que é o Espírito.
Com este mural no meio de nossa
comunidade damos um salto qualitativo em nossa fé. Abandonamos as cruzes
que nos prendem a este mundo e olhamos o Cristo, o filho de Deus em
nossas Missas da forma que ele gostaria que nós o fizéssemos:
partilhando.
Partilhando o pão e o vinho na última
ceia; partilhando os seus ensinamentos aos discípulos antes de voltar ao
Pai (cf. Jo 13,3b); partilhando a sua vida ao abrir seus braços em uma
cruz; partilhando a alegria de ser ressuscitado no amor de seu Pai
celeste; partilhando o Espírito Santo a sua Igreja. Que ao olharmos esta
bela obra de arte, inspirados por Deus através de seu artista Sergio
Prata, todos os cristãos possam rememorar o mistério da redenção do
mundo e que se encontra na Igreja Católica.
A partilha do pão e do vinho é Cristo
que se dá novamente nos altares de todo o mundo e faz de todos os irmãos
no Espírito Santo. Amando-nos até o fim, se entrega nas mãos do Pai para
abrir a oportunidade de todo o gênero humano seja “cristificado”
através de seu Espírito que segue presente no meio de nós todas as vezes
que partimos o pão entre os irmãos reunidos em torno do altar do Senhor.
Frei Arthur Vianna Ferreira, osa
Pároco da Igreja
de Nossa Senhora Aparecida
Bragança Paulista
– SP |