Ontem, sabendo que a pichadora da
Bienal ainda não foi libertada, fiquei indignado novamente, e
escrevi uma argumentação na página do abaixo assinado para sua
libertação. Logo em seguida, recebi um telefonema de uma produtora
da Rede Record, interessada em gravar meu depoimento.
Uma equipe veio até meu atelier
para gravar uma pequena participação, e tendo refletido sobre este
problema, resolvi fazer um texto abordando a questão Bienal SP.
Após
anos de reflexão e de um (quase) silêncio elegante, diante dos
escândalos recentes, emito (enfim) um relato pessoal sobre a Bienal de SP e suas distorções
sobre a arte, divulgação e mídia.
Como a gente fala
muito em entrevistas e eles editam um quase nada, resolvi me expressar melhor, com
tempo, e passei toda a minha tarde escrevendo. Desta forma, minha
mensagem é mais completa, no espaço livro do meu site.
Antes de tudo, para se falar sobre a Bienal SP é necessário fazermos
uma auto-análise (já que sou Paulista) investigando um pouco da
conduta da fauna artística (rs) que se aloja na floresta urbana e cinzenta
tropical...
Parte da "inteligência" paulistana ainda crê na frase: -
"Seja marginal, seja herói", do Oiticica....
Eu, pessoalmente, acho
isto uma aberração.
Pois, em minha educação, aprendi que "o grande malandro é o sujeito
honesto"... ao contrário do que pregou Oiticica, em uma de suas
obras. Ele vivia na época em que o bandido da luz vermelha já seduzia e era atenção da mídia.
Hoje, em um país com tanta criminalidade, ao meu entender, um
artista que aconselha aos demais a marginalidade, é, no mínimo, um
irresponsável. Portanto, não, não admiro Oiticica!!!.
Nem os que
se formaram em sua escola.
Prefiro Delacroix, Rubens, Pennachi, Burle Marx, Portinari, Sérgio
Ferro, Egberto Gismonti. Francis Cabrel... e sua música sobre os
falsários (les faussaires)...que cai tão bem para a atualidade...
A questão da degradação da qualidade da Bienal de SP já é antiga,
não vem desta edição do evento. Não tem nada de inovador. Pode ser a
seqüência de uma lógica, de uma articulação bem pensada,
estratégica...
O mercado da arte tem seus vícios, suas imposições, suas vigilâncias
estéticas e modismos.
Quem os segue, participa. Tem gente que produz segundo a cartilha, e
faz parte do gueto do contemporâneo.
Quem insiste em fazer algo inteligível ou reconhecível, é muitas
vezes segregado.
Para provar esta tese, basta refletir um pouco sobre o andamento
longo desta nobre carruagem.... onde muitos cães latem do lado de
fora, e alguns poucos ladr(o)am
confortavelmente, do lado de dentro.
Não é de hoje que a Bienal se transformou em um gueto bem articulado
e formado entre artistas e cartolas (em arte chamamos de curadores)
com condutas e preferências bem definidas, que se apropriou deste
mecanismo, para usufruir de um espaço público sem realmente propor
algo de construtivo, educativo, de realmente cultural, seguindo a
tendência mundial.
A questão da vigilância estética que se apoderou da mídia e de
muitos dos eventos artísticos "ditos contemporâneos" seria mais
ampla, segundo o filósofo Olavo de Carvalho... ele acredita em
um movimento inspirado em Antônio Gramschi, teórico italiano da
implantação do Marxismo (ai de novo esta teoria...). de degradação
da moral e dos costumes para a implantação de uma ideologia
comprovadamente caduca, porém ainda muito cultuada em nossos
tempos... Há quem acredite, e é uma explicação muito plausível, que
esta explicação descortina a máscara que usam aqueles que escondem a
arte e que propõem o vazio...
Eu acredito que o vazio que nos é imposto hoje em dia tenha sua
origem em fatos muito mais simples, que derivam dos erros anteriores
dos críticos de arte (aqueles energúmenos que diziam que os
impressionistas não faziam arte), que traumatizaram novos críticos,
que por medo de errar, não mais criticam, deixando para outros, até
para artistas como eu o que deveria ser a sua função...
Acredito também no poder da micagem dos curadores Brasileiros, que
se inspiram nas baboseiras criadas pelos modelos além-mar para, sem
identidade com seu próprio país, proporem a globalização da real
idiotice mesclada com ares de magouille intelectuelle na arte...
O despreparo e a falta de conhecimento específico da área, destes
que ocupam funções que estão além de suas competências, também
colaboram para o esvaziamento não somente da Bienal, mas da cultura
em geral.
Cá entre nós...muitos curadores e alguns críticos tornaram-se tão
egocêntricos, com tal vaidade e vontade de aparecer, que hoje tiram
o foco da arte, dos artistas, do conhecimento, para esvaziar tudo,
em busca dos holofotes.
Usam verbas para propor o vazio, o nada... como se seus intelectos e
suas presenças físicas fossem suficientemente capazes de preencher a
demanda do público, que os olha de forma pasma e inerte, dizendo: Só
isto ? 8,5 milhões para apresentar só isto ? Um andar cheio de
nada.... cheio de vazio... que falta de criatividade....
Este vale tudo na arte contemporânea, onde alguns crêem que tudo é
arte e todos são artistas, me faz lembrar da máxima do camaleão, que
cunhamos com alguns amigos paraquedistas, em um churrasco, depois de
algumas cervejas e sanduíches com lingüiça de Bragança:
"Haja o que hajar, houva o que
houver, o que você quiser que eu sêje eu sêjo, pois o importante é o
que importa. Ou não, que bom se cêsse... E não me corrégi, sinão
piorêia"....
Traduzindo, em termos de arte contemporânea, vale tudo, tudo é arte
e todos são artistas.... que idéia imbecil....
É preciso dar nomes aos Beyus...
Diante de todo este besteirol
que nos propõe a arte contemporânea, só dá para ter um pouco de bom
humor quando me lembro da frase do Mineirinho, que li em uma
camiseta:
-"Uai é uai, uai..."
Parece-me que o pessoal da arte contemporânea por vezes explica o
esvaziamento de suas obras da mesma maneira, e que este é o resumo
das suas complexas elucubrações intelectualóides...-"Uai é uai,
uai..."
Lembro-me do Oscar Araripe, artista carioca que reside em
Tiradentes, que se recusou a entrar no banho de Temascal (uma
espécie de sauna pré-hispânica) lá perto de Texcoco, programa
proposto pela agenda da Bienal do México.... programa de
índio....demos boas risadas... e comentamos coisas sérias, como
algumas palhaçadas das artes, que vimos em nossas andanças....Este
cara me parece um artista, daqueles que tem vida no olhar, que
propõem alegria em suas obras, poesia.
E não propõe esta tristeza do esvaziamento, da prisão, da Bienal de
SP...
Esta é a missão de um verdadeiro artista, pensar seu mundo, e propor
uma solução de poesia, alegria...
Fazer a micagem deste mundo
imperfeito e caótico me parece falta de criatividade, de humor...
A Bienal de SP parece um banho de temascal... tem gente tocando
bumbo... e é um inferno... .hahaha!!!
Desculpem-me, não resisti, escrevi como se fosse um blog, um msn...
coisas de nosso tempo...
Sem dúvida, é preferível ver
as grandes obras de Orosco, Rivera, Siqueiros.... trabalhos de quem
realmente trabalhou, não um monte de embromação de gente pseudo-teórica que
não se traduz em resultados palpáveis...
Me parece que grande parte dos curadores contemporâneos estão
desatentos com o que realmente ocorre no mundo atual, apoderam-se de
discursos intelectualizados, herméticos, para elitizar a compreensão
do que seria "Arte contemporânea", esta tendência já tão falecida,
em crise de falência múltipla nas Bienais de tantos países, que
esgotada, esqueceu de renovar-se. Insisto, quem ainda não leu Desconstruir Duchamps, não entenderá o
quanto a fórmula do prestidigitador Duchamps já não mais engana a
todos...O quanto o cadáver da Arte contemporânea e seus esquemas
falidos já foi desmascarado. Leiam o livro de Affonso Romano de
Sant´Anna. |
Alguns curadores atuais insistem em fazer eventos que fedem pois
insistem em manter o cadáver da Arte contemporânea, tal qual a
concebem, em seus armários.
Para que os tais curadores, (que não são só dois, acreditem, eles
leram a cartilha de Duchamps e se multiplicam facilmente) não
alcancem a meta da notoriedade, pois não a merecem e também para
contrariá-los, não publicarei os seus nomes. Pois suas atitudes
foram medíocres. E por agirem de forma medíocre, estão aquém da
arte, ao menos da Arte que eu defendo, aquela que propõe
conhecimento, cultura, savoir-faire, beleza, conteúdo,
reflexão sobre a essência do ser humano e não sobre frivolidades de
um gueto ou de uma pseudo-elite que se apropria de discursos
herméticos para desculpar suas apropriações indébitas... de espaços,
de verbas, da função da arte e da cultura.
   
Yves Michaud, ex-Diretor da Ensb-A de Paris também escreveu um livro
onde descreve o fenômeno da crise da arte, com ares mais franceses.
Todos estes autores, Gullar, Sant´Anna e Michaud, descrevem com
palavras, inteligências e perspectivas diferentes, o beco sem saída
da arte contemporânea.
A conivência de
pseudo-artistas (pessoas sem uma real formação em um ofício de arte)
e sua vassalagem aos modus operandis dos que ditam o ritmo e a direção para a qual
vai a máquina cultural, aproveitando-se da vaidade de sua época, e
de uma mídia cujo foco está voltado para a polêmica e o escândalo
colaboram para o impasse atual. Escândalo vende. Desespero vende.
Crime vende.
Como tão pouca coisa se produz de bom em arte em terras tupiniquins
(segundo os curadores da Bienal de SP), vamos expor o nada, dizem
eles.
Afinal, os 8,5 milhões de reais disponíveis para se mostrar arte na
Bienal são quase nada... reflito cá com meus botões... será
que em mais um pouco de tempo não vamos descobrir um segundo Banco
Santos se apropriando da arte para propor falcatruas?
Ai, ai, Bienalle... tu est pourrie....
A bandalheira vem de longe.
Tentei participar da Bienal de SP uma só vez, com pinturas enormes,
com temas da Mitologia e do antropofagismo, em 1992, no começo de
minha carreira, quando retornei ao Brasil.
Logicamente, minhas obras não interessavam aos curadores da época,
apesar de meu nome já despontar na cidade onde o gosto estético é o
mais apurado do Brasil, em Curitiba.
Neste ano, um "artista" desconhecido Paranaense expôs um banheiro cheio de
palavrões e xingamentos na Bienal de SP, dizendo ter feito uma
pesquisa séria nos banheiros da Rodovia Régis Bittencourt...
artigo publicado no O ESTADO DO PARANÁ, pelo artista Sérgio Prata, no
dia 17 de novembro de 1992.
Sobre a vergonha Paranaense, escrevi um artigo para o
Almanaque do Estado do Paraná. Neste artigo, cujo título correto
seria o termo pejorativo Je m´enfoutisme... do Francês, descrevi um pouco o ambiente da época...
que não mudou muito desde então, só se esvaziou mais...
Mais tarde descobri que este tal
"artista" era protegido por uma crítica de arte de sua terrinha do
interior na capital paranaense e que ele tinha um "tio" político
(com as mesmas tendências que ele) que o protegia... enganou a
muitos porém não à todos... mentiras de participações em importantes
eventos internacionais e coisas chocantes foram seus métodos para
preencher o vazio do ensino artístico no seu estado, em sua geração.
Meu professor Abraham Pincas dizia que os novatos precisam destruir
o já feito, chocar com coisas fortes, para chamar atenção.
Quando você trilhou um bom caminho, pode se dedicar a fazer coisas
estáveis, equilibradas, na Arte.
Olhando parte da produção "cultural" que aparece na mídia que olha a
Bienal SP e em outras manchetes do mundo da Arte e do crime (ambos
se confundem, muitas vezes nas manchetes recentes), percebemos que
são fruto da obra de novatos. No Brasil recente, vemos vídeos de
ladrões roubando museus de portas boquiabertas, e nenhum alarme
soa... ou quase nenhum, nos que ainda insistem em viver com o foco
na cultura...
Meu artigo no ESTADO DO PARANÁ foi elogiado por artistas sérios na
capital Paranaense, ... e virei motivo de piada, em alguns círculos
da molecagem dos contemporâneos, fui um pouco desdenhado por iniciantes sem formação,
adeptos de l´enfant terrible autor do banheiro dos
xingamentos..... por ter
empregado o termo lixo cultural, emprestado de Ferreira Gullar, em
seu livro Argumentação contra a morte da Arte, faz uma excelente
reflexão sobre a repetição da destruição e o esvaziamento que
decorre da repetição da destruição, que serve como uma luva ao vazio
da Bienal.
Mexer nestes
fatos que geram polêmica, que fedem, altera alguns ânimos,
principalmente os dos que rosnam em frente da carniça dos espaços
públicos, das verbas oficiais, numa verdadeira fogueira das vaidades
na dança da antropofagia das oportunidades.
Alguns fazedores de "coisas chocantes" estão disposto à tudo por
espaço na mídia. Disto também queixavam-se alguns repórteres, como
minha amiga Adélia Maria Lopes... Muitos destes fazedores de "coisas
chocantes" vivem visitando as redações, puxando o saco, para levar
matérias com pouco conteúdo... Os repórteres cansam-se disto...
fui elogiado por aparecer pouco na redação, só dando as caras quando
tinha uma boa exposição para o público Paranaense...
Como diria meu pai, o desembraguilhador Miguel (o termo é uma alusão
ao fato dele ter feito 7 filhos):
-" Eu não sou ovo, por que é que querem me chocar?"
Desde o começo da década de 90, cansado de ver os jogos com as
cartas marcadas nos eventos particulares e oficiais, os tais dos
salões-falcatruas, concursos com pré-ganhadores indicados e as
Bienais dos guetos, decidi que não mais participaria destes eventos.
Só participei de um, como parte integrante do júri, e fui muito
respeitado e ouvido por gente grande das Artes, como o meu caro
professor Evandro Carlos Jardim, da USP, que participava do grupo.
Após ver pneus estourados ganhando prêmio de escultura, ratazanas
dentro do formol e papel queimado em lugares de destaque nos salões,
palavrões na Bienal, percebi que aquela casa da mãe Joana que eles
propunham como sendo arte não merecia minha participação. E que não
havia debate possível.
Abstive-me destes engodos. E o fiz com elegância.
Mas nunca me abstive da Arte.
Hoje pululam os convites-armadilhas, para salões, exposições,
participações, onde o artista é a caça e os marchands são os
caçadores.... somas importantes são demandadas para cada
participação. Criaram uma verdadeira máquina de eventos, para captar
recursos e manter os cartolas e atravessadores da arte. Muitos deles
vivem bem, em regime de captação das veias dos artistas, tais quais
vampiros sedentos....
Por isto convém olhar os dentes caninos que vem escondidos em cada
um destes convites, que nos chegam todo dia...
Decidi que meus grandes prêmios seriam a partir de então, as
encomendas que chegavam ao meu atelier, afinal havia estudado em uma
das melhores escolhas de Arte do mundo, a Ensb-A de Paris, e detinha
desde a década de 80 o domínio diversos ofícios dentro das artes
plásticas, raríssimos e até inexistentes em nosso país.
Se hoje sei muito em técnicas e em arte, é porque ainda estudo
muito, e porquê pesquiso com humildade, e faço questão de partilhar
os conhecimentos tão raros em nosso país com meus colegas de
profissão. Quanto mais pesquiso, mais percebo que existe muito mais
a ser estudado. Então, apesar de parecer arrogante, por dizer que
sei bastante, ainda mantenho humildade diante dos verdadeiros
mestres e especialistas.
Quando em 1995, lançava meu
primeiro livro de Técnicas de Pintura em São Paulo, deparei-me com a
mídia viciada em escândalos, que já fazia vigilância estética sobre
tudo o que era compreensível, ou figurativo. A busca por algo
chocante, pela bandalheira, já dominavam as redações dos grandes
jornais e TVs da grande SP. A arrogância e o descaso já eram
freqüentes...deixa para lá. Dá um enorme texto, que quem sabe um dia
escrevo... Para obter uma matéria no Metrópolis... fui obrigado a
tecer argumentos... dar voltas, e quase usar das mesmas estratégias
que a grande mídia demandava... somente para divulgar um livro cuja
meta era partilhar conhecimentos raros ao público.
São Paulo sempre foi um gueto fechado, talvez por isto,
desinteressei-me por uma carreira na cidade do trânsito entupido,
das inundações, dos crimes da arte na mídia (que por
inúmeras vezes se confundem)...
Não vou perder nosso tempo tentando refrescar a memória dos
leitores, pois afinal, poucos lêem um texto tão longo...
Só aceitei participar da
Bienal do México em 2008, por desejar conhecer o país dos grandes
muralistas e pelo reconhecimento da organização da Bienal ao
conjunto de minha obra. Foram 16 anos de jejum das participações em
salões. Quando finalmente participei de uma Bienal, ganhei um prêmio
de muito valor, pois éramos 270 artistas de 36 países... Se fui
escolhido pelo júri internacional, é porquê realmente o público e os
artistas ficam impressionados com minhas obras trifásicas, uma
inovação técnica surpreendente...
Por ter sido convidado numa espécie de hors concours... Fui,
participei e venci.
Fácil mostrar na França, na Grécia, no México, difícil mostrar no
Brasil....
Por vezes, parece que para expor por aqui você tem que fazer parte
de uma fauna cujo DNA não mais lhe pertence....
risos...
Por ter ganho um prêmio em um
Bienal internacional, cheia de artistas, um evento que refletiu
sobre a crise da arte contemporânea, em plena crise ambiental e
financeira mundial, me permito, somente agora, escrever um texto
sobre a
BIENAL DE SÃO PAULO
Na edição de 2008, a Bienal de SP, cuja administração teve à sua disposição
(pasmem) 8,5 milhões
de reais (segundo informações veiculadas pela mídia) cujo destino
deveria ser o de levar
Arte ao público Brasileiro, delegou a função à uma curadoria
desastrosa que de forma arrogante e impositiva, propôs um andar
vazio, sem propor arte nem nada que o valha.
Minha gente, com 8,5 milhões eu acho que dava para construir um tipo
de prédio novo só para a Bienal ? Estou desinformado dos preços? 8,5
é pouco para vocês? Não dava para colocar nada lá dentro?
O ato provocativo da curadoria inspirou indignação entre muitos
artistas Brasileiros, e como resultado, o prédio da Bienal passou a
servir de palco para o vandalismo e a pichação...
È gozado, um homem nu no meio da rua é atentado ao pudor, em uma
Bienal, é arte... Um xingamento em uma rua é rechaçado pelos
insultados.... em uma Bienal virá coisa interessante.... convite ao
debate...
Como diria a minha mãe, a
escritora (muitas vezes premiada) Lola: - "viadagem tem limite"....
hahaha!!!
Foi tão provocativo que até eu estou perdendo, finalmente, um pouco
de tempo para escrever este texto...deixei de pintar, hoje que meu
atelier está limpinho, para escrever este
relato-desabafo-sei-lá-o-quê sobre esta gente que não vejo nem
interesse em conhecer (os tais da bienal SP), pois é gente que não
acrescenta em cultura.
Por não ter interesse em conhecer curadores cujo "trabalho" só deu
em cáca, peço à eles que nem leiam o que eu escrevo. Deixem para
lá...sou da turma do deixa disto... Aliás, esta é uma boa idéia,
alguns de vocês curadores de arte contemporânea, deveriam deixar do que fazem...pois o fazem muito
mal... são vergonhosos.
Envergonham os que amam a arte
e a cultura de qualidade em nosso país...até além de nossas
fronteiras...
Imagino o que os curadores de Chapingo, no México fariam com 8,5
milhões....Note bem, alguns deles eram artistas, sabem o trabalho
que dá fazer um mosaico monumental....
Lá deu para perceber que dinheiro não faz uma Bienal. Sem índole,
não se reúne artistas
C´est pas la peine de me processar por este texto, meu advogado
é bom e adora receber telas em pagamento. Além do mais, eu não os
insulto, só deploro o que fizeram. Não deploro suas pessoas, como
uma Ana Maria deplora um corno recebido por uma amiga...A imagem é
boa, vocês, curadores, cornearam a arte, a cultura...traíram a pouca
confiança que a vida inteligente tinha na Bienal.
Entendam como uma lição, tenham a humildade de ver algo que
funciona, e se espelhem no que funciona, para salvar o que têm de
falido em mãos.
Diante das sucessivas vergonhas, bandalheiras e do descaso da maior
parte das curadorias que usufruíram e se apropriaram da Bienal, muitos artistas se calaram,
deixaram de freqüentá-la ou
hoje só comentam à la petite bouche (à pequena boca, somente
comentários em voz baixa, entre artistas).
Através da internet, algumas pintoras se articularam, criando sites, páginas
no orkut e manifestações virtuais de desagravo. Eu preferi me calar,
e me manter como observador desta maladresse, de curadores que não
curam dores, somente a aumentam...
Lá no México, os comentários
entre artistas Brasileiros também foram de decepção, ao se constatar a grande perda de uma
oportunidade e de um espaço. Quantos são aqueles que, com boas
propostas, com obras de qualidade e muita dedicação, teriam
condições de colaborar com arte e cultura para o sucesso deste
evento?... gerando uma real discussão sobre o mundo atual?
A Bienal de Chapingo, no México, organizada com poucos recursos, com
problemas próprios de iniciantes, teve um grande diferencial: a
presença de um artista como Diretor (Juan Jorge Diaz Rivera) e de
alguns museólogos, reitores... Se esta nova Bienal tem muito a
aprender em infra-estrutura de acolhida dos artistas, tem algo
essencial a nos ensinar. Apesar de ser embrionária, nasce com um
debate importante sobre a falência dos modelos de Bienais mundo
afora (a de SP incluída).
E tem os ouvidos abertos às sugestões dos artistas. Eu mesmo, aqui
do interior de meu atelier em Bragança, sugeri o nome de 3 artistas
ao comitê organizador, e eles foram convidados, marcaram presença.
Estiveram por lá com suas obras, visitaram a arte e a cultura do
país e levaram suas obras. 2 deles, Luciano Mello (escultor de mão
cheia) e sua esposa Margherita Leoni (pintora da flora Brasileira)
são formados pela academia de Brera, e possuem trabalhos de grande
qualidade, sucesso na Itália. A outra pintora, uma ex-aluna Francesa
tem um trabalho de trompe l´oeil e também teve a oportunidade
de participar.
No Brasil, quem quiser, que participe de uma mostra paralela. Que
deve ser o que segura alguma coisa interessante neste período, em
SP. O salão dos refusés começou assim, com grandes
artistas, os que vingaram, de sua época... todos segregados dos
circuitos oficiais, que já estão caducos, empoeirados, com o seu
novo-contemporâneo falido e velho. Nada de novo no contemporâneo,
quando ele é alienado da realidade do mundo....
Algumas promessas jovens, como a talentosa Tiffani Hollack (pintora
de arte tibetana) antes ventiladas para a
Bienal de SP, não se confirmaram....
Eu conheço alguns escultores contemporâneos no Brasil que possuem um
talento de um Rodin (e olhe que eu já esmiucei o Museu Rodin de
Paris, nas visitas que fiz durante 2 décadas ao seu espaço), alguns
pintores dignos do títulos de mestre (e olhe que eu já visitei
museus maravilhosos em mais de 15 países) algumas de suas obras
certamente aumentariam a auto-estima, o valor do artista e do nível
cultural do Brasileiro. Porquê não divulgá-los em um espaço nobre
como o da Bienal ? Pois existe uma vigilância estética.... o buraco
é mais fundo...
E artistas em outros países que certamente enobreceriam o espaço,
com obras de qualidade, e não obras de sacanagem com o espaço
público, travestidos em linguagem contemporânea.
No Brasil, Peticov e sua esposa organizaram uma manifestação no
local, que foi veiculada pela mídia Brasileira,
com conteúdo que tentava minimizar a real amplitude dos artistas por
eles representados. Simplesmente, eles foram até lá. Muitos estavam
com eles, em seus comentários, em suas casas, em lugares distantes.
Mas a mídia tentou minimizar aquilo que não é um sentimento
solitário.
A passagem nefasta (portanto não inovadora neste sentido) dos
curadores pela Bienal resultou em um fato inédito, distante da
verdadeira vocação do evento...a prisão de uma pichadora, entre os 40 que participaram de um ato de rebeldia e vandalismo...
Eu até que gostaria de oferecer um curso para a tal da Caroline
Piveta, para ver se ela aprende um pouco de arte, de técnicas, e
aproveita a sua fama para fazer algo de bom... Está convidada,
pichadora, venha com o seu amigo taxista, eu te dou uma bolsa de
estudos. Venha ter uma aulas de graça em meu atelier....
Pensei em doar um obra de minha autoria para o juiz, promotor,
secretario, advogado, ministro, governador ou outro que fosse capaz
de libertar a pobre coitada da jaula, da gaiola.... seria uma obra
trifásica... de dia, o vazio da bienal, de noite, as grades, no
ultravioleta, o retrato da menina....
São muitos os que se revoltam com a "galinhagem" de alguns curadores.
Poucos os que vão enxotar as galinhas dentro do terreiro. Por falta
de ocupação dos espaços, a galinhagem se instala...
E desta vez,
resolveram prender uma "ladra de galinhas", a menos ágil de uma
bando de 40, que ainda tinha um spray na mão...
Em vez de prenderem
o tal do curador, ou alguns do grupo coniventes com o
desaparecimento dos 8,5 mi, resolveram prender uma piveta de galinhas.
Histórias da justiça
tupiniquim, prende-se o ladrãozinho de galinhas, que vira o bode (ou poule) espiatório dos grandes sorvedores de recursos e
espaços públicos, travestidos em curadores.
Na próxima bienal, tem que ter algum tipo de galinha lá dentro da
Bienal, fazendo sucesso senão eu nem olho as notícias...pois a
decadência do conceito de arte em nosso país merece o arremesso de
um par de sapatos... somos todos hu-milha-dos neste imenso
hu-milharal da Biannual, Biennalle, Bienal...
Não é de hoje que eu percebo que tem gente grande, bem posicionada,
de grande poder, que adora se apropriar dos espaços de arte, como
meio de espiar seus pecados.... associando-se à museus, pinacotecas,
fundações, grandes empresários conseguem por vezes travestir suas
intenções de enriquecimento ilícito e sede de poder em "benevolato"
por uma causa nobre de cunho cultural.... bom para
refletir...verdade ou mentira... Banco Santos... por vezes, eles nem
entendem tanto de arte, e acham o tal do Benedito Calixto um artista
menor, enquanto ocupam a presidência de uma Pinacoteca para tomar
ares de sou bonzinho enquanto se entopem de verbas, com movimentos
de contabilidade...
Escondem-se atrás da arte para dar um ar de refinamento ao quanto
são carcamanos, sem cultura, despreparados, rústicos....
Desta maneira, o Masp tem sido implodido. Outros museus e fundações
são esvaziados de alarmes.
A Bienal de SP tem sido boicotada por muitos artistas, que nem sequer a
visitam mais, tal o seu esvaziamento de sentido e conteúdo, que
antecedeu em muito o seu esvaziamento de obras. Será que já não é
hora de esvaziar a Bienal de seus curadores ?! Existem os que o
cogitam.
Se o cartola impede a presença da bola e dos jogadores e pega uma
montanha de dinheiro para mostrar um campo vazio e nu aos
torcedores, não é de se pensar em formar um pool de jogadores, para
que a manutenção do jogo seja possível?
Em vez de jogar o foco na obra de qualidade de artistas sérios,
capazes de levar arte até o público, representando bem nosso país
além de suas fronteiras, a Bienal SP convida o foco da mídia ao
vandalismo, à revolta, à invasão e à prisão.
A Bienal de SP vem se degradando, transformando-se em um espaço de escândalo,
mal gosto, escândalos financeiros, pornografia, nudez, vazio,
vandalismo, invasões, gritos, correria e prisão.
Muitos artistas Brasileiros, que possuem uma obra com qualidade
reconhecida em outros países, não são convidados à levar arte e
inovação ao público Brasileiro. Em lugar disto, sobra lugar para o
charlatanismo, a bandalheira, o vazio e para tudo o que nele se
instala.... Poucos críticos e pensadores de cultura, como Ferreira
Gullar (leia: Argumentação contra a morte da Arte) e Affonso Romano de Sant´Anna (Leia
Desconstruir Duchamps, o livro inteiro) tem a coragem e competência para refletir
sobre o enorme impasse ocasionado pelo gueto que se apropriou do
conceito da arte contemporânea...
O mesmo autor acaba de lançar um livro sobre o vazio na arte, que
certamente é muito bom, ele deve ter colocado os pinguinhos em cima
dos is, antes de todo mundo, de novo... o tal do Romano, que é bom
mineiro, bom carioca, bom Brasileiro, e que não cai em lorota mole
tão fácil...
Distanciando-se de sua
verdadeira essência e vocação, a de trazer arte e
cultura ao povo Brasileiro, de maneira experimental, inovadora, a
Bienal está em plena, viçosa e bela crise. É uma adolescente cheia
de espinhas na cara, que fez mal-criação e cuja última peripécia de
misturar peladão com corrida no terreiro, em busca da galinha de
ouro, tem suas motivações enjauladas em Carandiru....
Permitam-me criar imagens com
meu texto, é só para criar um ambiente risonho, em um assunto sério.
Para alegrar um pouco os insistentes leitores de meu site.
Diante desta deselegante degradação da cultura, só me resta
constatar, em consonância com outros artistas Brasileiros, que o rei
(a curadoria e sua Bi-anual de aluguel) está nu, sentou arrogantemente em seu trono e
fez uma obra de m...na Bienal de SP.
E como se não bastasse, sentou em cima, quando chamou a polícia para
prender os poucos manifestantes que se rebaixaram ao seu nível,
esvaziando a Bienal de seu verdadeiro sentido.
Ao contrário do que pretendem alguns, a discussão no âmbito das
Artes na América Latina não é frívola, superficial ou inexistente.
Acabo de chegar da Bienal do México, onde houve uma real discussão
dos problemas que afligem o mundo, neste momento de crise, com
enormes desafios, onde é maior a necessidade de pensadores, de gente
engajada, de artistas com propostas e soluções criativas e
inovadoras.
A falta de engajamento por parte dos curadores, artistas, eventos,
fundações, adeptos de modismos contemporâneos, dos gritos de suas
modas, que se apropriaram do conceito da arte contemporânea para
segregar boa parte dos bons profissionais do ramo das artes
plásticas, através da vigilância intelectual e estética, só poderia
dar resultados inexpressivos, como o vazio, os gritos, os escândalos
e a prisão, que parecem ser os frutos mais conhecidos da Bienal de
SP.
Que pena SP, com tanto talento disponível nos 4 cantos do mundo e
sobretudo do Brasil, vocês parecem que não aprendem....
Melhora, Bienal SP, toma vergonha na cara e expõe arte de verdade,
com qualidade, cultura, técnica e inspiração. Proponha uma discussão
real sobre os enormes problemas de nossa atualidade, e não mais um
passeio frívolo pelos jardins dos umbigos de seu gueto...
Cura nossas dores, Bienal....
Põe fora os cartolas, coloquem bons jogadores em campo e quem sabe assim dá jogo...
Eu, que pintei tantas Igrejas,
entre elas a capela da Polícia Militar de São Paulo, gostaria muito de saber que antes do Natal, um juiz,
promotor ou policial inspirado em Santo Expedito libertou a pobre
menina, que ainda não teve a chance de conhecer muita arte, mas já
sabe que o vazio dá margem à apropriação do espaço...
Dentro do espírito do Natal, acho que libertar esta pomba-gira,
pomba-branca, ladra de galinhas, intitulada Piveta-a pichadora,
seria talvez o único ato de bom senso, nesta vergonha nacional em
que se transformou a Bienal de SP.
Voa Piveta. E aprende a fazer arte, antes de dar as caras para
o mundo novamente. Se quiser minha ajuda, estou por aqui.
Acorda Pivetada da Bienal. Amadureçam. Parem com a palhaçada.
A arte é a única solução de poesia para o mundo. Deixem-na existir.
REPERCUSSÃO: e-mails recebidos
Grande Artista Amigo, Boa tarde.
A Arte me proporciona momentos únicos, como este
da Bienal do México ... em conhecer tanta Arte e Artistas. Ao conhecer Vc, tive a certeza de estar diante de
um Artista Verdadeiro, Sensível e Preocupado com o Caminho
da Nossa Arte. E não me enganei. É com imensa Felicidade que leio seu Texto e
constato o Valor para Nós Artistas. Não só para libertar uma Estudante que se
Expressou e não ficou no Vazio, mais para libertar nossa Arte
deste tempo em que "tudo pode".
Amei quando fala da marginalidade da Arte como no
caso do Oiticica...... e quando ao fato da Bienal estar na
mesmice...... a parte dos Impressionistas que não faziam
Arte...... o além-mar, o máximo! A gente com tanta Arte
e vai se buscar além-mar......uma bienal vazia é uma Cultura Pobre - num
País tão rico chega a ser Surreal...... e sobre o Verdadeiro Valor da Arte
Contemporânea...Sem dúvida, muitos deveriam ter ido ao México ver
e aprender o que é uma verdadeira Bienal de Arte
Contemporânea... ou apenas aprender o significado da Palavra
Contemporânea.
Valeu!
E Até.
Márcia Vinhas.
São Paulo
Prezado Sergio,
Primeiramente, desculpe-me a falta de acentuacao e cedilha...
teclado estrangeiro tem (o nao! rs) dessas coisas...
Gostaria de parabeniza-lo pelo texto de 17 de dezembro sobre o caso
da pichadora da Bienal de SP.
Eu, sendo artista (de outra area, a musical) entendo bem o que voce
diz sobre os curadores (ou maestros...) e seus gastos com o vazio. A
chamada "arte contemporanea" (e incluo a musica, tambem) tem muito
artista bom, mas tem muita gente mediocre... por nao ter, ainda, o
julgamento da historia, muito do joio ainda se sobressai ao trigo,
infelizmente! Parabens, tambem, pela atitude de oferecer uma bolsa a
Piveta. Espero que ela seja libertada, veja seu texto e se
interesse! O "espirito contestador" que ela demonstra ter e' bom ao
artista, se bem empregado!
Caloroso abraco,
Rafael Videira
www.rafaelvideira.com
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