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O ESVAZIAMENTO DA BIENAL DE SP
17 de dezembro de 2008.

fotoOntem, sabendo que a pichadora da Bienal ainda não foi libertada, fiquei indignado novamente, e escrevi uma argumentação na página do abaixo assinado para sua libertação. Logo em seguida, recebi um telefonema de uma produtora da Rede Record, interessada em gravar meu depoimento.

Uma equipe veio até meu atelier para gravar uma pequena participação, e tendo refletido sobre este problema, resolvi fazer um texto abordando a questão Bienal SP.

Após anos de reflexão e de um (quase) silêncio elegante, diante dos escândalos recentes, emito (enfim) um relato pessoal sobre a Bienal de SP e suas distorções sobre a arte, divulgação e mídia.

Como a gente fala muito em entrevistas e eles editam um quase nada, resolvi me expressar melhor, com tempo, e passei toda a minha tarde escrevendo. Desta forma, minha mensagem é mais completa, no espaço livro do meu site.

Antes de tudo, para se falar sobre a Bienal SP é necessário fazermos uma auto-análise (já que sou Paulista) investigando um pouco da conduta da fauna artística (rs) que se aloja na floresta urbana e cinzenta tropical...

Parte da "inteligência" paulistana ainda crê na frase: - "Seja marginal, seja herói", do Oiticica....

Eu, pessoalmente, acho isto uma aberração.

Pois, em minha educação, aprendi que "o grande malandro é o sujeito honesto"... ao contrário do que pregou Oiticica, em uma de suas obras. Ele vivia na época em que o bandido da luz vermelha já seduzia e era atenção da mídia.

Hoje, em um país com tanta criminalidade, ao meu entender, um artista que aconselha aos demais a marginalidade, é, no mínimo, um irresponsável. Portanto, não, não admiro Oiticica!!!. 
Nem os que se formaram em sua escola.

Prefiro Delacroix, Rubens, Pennachi, Burle Marx, Portinari, Sérgio Ferro, Egberto Gismonti. Francis Cabrel... e sua música sobre os falsários (les faussaires)...que cai tão bem para a atualidade...
 
A questão da degradação da qualidade da Bienal de SP já é antiga, não vem desta edição do evento. Não tem nada de inovador. Pode ser a seqüência de uma lógica, de uma articulação bem pensada, estratégica...
O mercado da arte tem seus vícios, suas imposições, suas vigilâncias estéticas e modismos.
Quem os segue, participa. Tem gente que produz segundo a cartilha, e faz parte do gueto do contemporâneo.
Quem insiste em fazer algo inteligível ou reconhecível, é muitas vezes segregado.

Para provar esta tese, basta refletir um pouco sobre o andamento longo desta nobre carruagem.... onde muitos cães latem do lado de fora, e alguns poucos ladr(o)am confortavelmente, do lado de dentro.

Não é de hoje que a Bienal se transformou em um gueto bem articulado e formado entre artistas e cartolas (em arte chamamos de curadores) com condutas e preferências bem definidas, que se apropriou deste mecanismo, para usufruir de um espaço público sem realmente propor algo de construtivo, educativo, de realmente cultural, seguindo a tendência mundial.

A questão da vigilância estética que se apoderou da mídia e de muitos dos eventos artísticos "ditos contemporâneos" seria mais ampla, segundo o filósofo Olavo de Carvalho... ele acredita em um movimento inspirado em Antônio Gramschi, teórico italiano da implantação do Marxismo (ai de novo esta teoria...). de degradação da moral e dos costumes para a implantação de uma ideologia comprovadamente caduca, porém ainda muito cultuada em nossos tempos... Há quem acredite, e é uma explicação muito plausível, que esta explicação descortina a máscara que usam aqueles que escondem a arte e que propõem o vazio...

Eu acredito que o vazio que nos é imposto hoje em dia tenha sua origem em fatos muito mais simples, que derivam dos erros anteriores dos críticos de arte (aqueles energúmenos que diziam que os impressionistas não faziam arte), que traumatizaram novos críticos, que por medo de errar, não mais criticam, deixando para outros, até para artistas como eu o que deveria ser a sua função...

Acredito também no poder da micagem dos curadores Brasileiros, que se inspiram nas baboseiras criadas pelos modelos além-mar para, sem identidade com seu próprio país, proporem a globalização da real idiotice mesclada com ares de magouille intelectuelle na arte...

O despreparo e a falta de conhecimento específico da área, destes que ocupam funções que estão além de suas competências, também colaboram para o esvaziamento não somente da Bienal, mas da cultura em geral.

Cá entre nós...muitos curadores e alguns críticos tornaram-se tão egocêntricos, com tal vaidade e vontade de aparecer, que hoje tiram o foco da arte, dos artistas, do conhecimento, para esvaziar tudo, em busca dos holofotes.
Usam verbas para propor o vazio, o nada... como se seus intelectos e suas presenças físicas fossem suficientemente capazes de preencher a demanda do público, que os olha de forma pasma e inerte, dizendo: Só isto ? 8,5 milhões para apresentar só isto ? Um andar cheio de nada.... cheio de vazio... que falta de criatividade....

Este vale tudo na arte contemporânea, onde alguns crêem que tudo é arte e todos são artistas, me faz lembrar da máxima do camaleão, que cunhamos com alguns amigos paraquedistas, em um churrasco, depois de algumas cervejas e sanduíches com lingüiça de Bragança:

"Haja o que hajar, houva o que houver, o que você quiser que eu sêje eu sêjo, pois o importante é o que importa. Ou não, que bom se cêsse... E não me corrégi, sinão piorêia"....

Traduzindo, em termos de arte contemporânea, vale tudo, tudo é arte e todos são artistas.... que idéia imbecil....
É preciso dar nomes aos Beyus...

Diante de todo este besteirol que nos propõe a arte contemporânea, só dá para ter um pouco de bom humor quando me lembro da frase do Mineirinho, que li em uma camiseta:
-"Uai é uai, uai..."

Parece-me que o pessoal da arte contemporânea por vezes explica o esvaziamento de suas obras da mesma maneira, e que este é o resumo das suas complexas elucubrações intelectualóides...-"Uai é uai, uai..."

Lembro-me do Oscar Araripe, artista carioca que reside em Tiradentes, que se recusou a entrar no banho de Temascal (uma espécie de sauna pré-hispânica) lá perto de Texcoco, programa proposto pela agenda da Bienal do México.... programa de índio....demos boas risadas... e comentamos coisas sérias, como algumas palhaçadas das artes, que vimos em nossas andanças....Este cara me parece um artista, daqueles que tem vida no olhar, que propõem alegria em suas obras, poesia.

E não propõe esta tristeza do esvaziamento, da prisão, da Bienal de SP...

Esta é a missão de um verdadeiro artista, pensar seu mundo, e propor uma solução de poesia, alegria...

Fazer a micagem deste mundo imperfeito e caótico me parece falta de criatividade, de humor...

A Bienal de SP parece um banho de temascal... tem gente tocando bumbo... e é um inferno... .hahaha!!!
Desculpem-me, não resisti, escrevi como se fosse um blog, um msn... coisas de nosso tempo...

Sem dúvida, é preferível ver as grandes obras de Orosco, Rivera, Siqueiros.... trabalhos de quem realmente trabalhou, não um monte de embromação de gente pseudo-teórica que não se traduz em resultados palpáveis...

Me parece que grande parte dos curadores contemporâneos estão desatentos com o que realmente ocorre no mundo atual, apoderam-se de discursos intelectualizados, herméticos, para elitizar a compreensão do que seria "Arte contemporânea", esta tendência já tão falecida, em crise de falência múltipla nas Bienais de tantos países, que esgotada, esqueceu de renovar-se. Insisto, quem ainda não leu Desconstruir Duchamps, não entenderá o quanto a fórmula do prestidigitador Duchamps já não mais engana a todos...O quanto o cadáver da Arte contemporânea e seus esquemas falidos já foi desmascarado. Leiam o livro de Affonso Romano de Sant´Anna. |

Alguns curadores atuais insistem em fazer eventos que fedem pois insistem em manter o cadáver da Arte contemporânea, tal qual a concebem, em seus armários.
 
Para que os tais curadores, (que não são só dois, acreditem, eles leram a cartilha de Duchamps e se multiplicam facilmente) não alcancem a meta da notoriedade, pois não a merecem e também para contrariá-los, não publicarei os seus nomes. Pois suas atitudes foram medíocres. E por agirem de forma medíocre, estão aquém da arte, ao menos da Arte que eu defendo, aquela que propõe conhecimento, cultura, savoir-faire, beleza, conteúdo, reflexão sobre a essência do ser humano e não sobre frivolidades de um gueto ou de uma pseudo-elite que se apropria de discursos herméticos para desculpar suas apropriações indébitas... de espaços, de verbas, da função da arte e da cultura.

Yves Michaud, ex-Diretor da Ensb-A de Paris também escreveu um livro onde descreve o fenômeno da crise da arte, com ares mais franceses. Todos estes autores, Gullar, Sant´Anna e Michaud, descrevem com palavras, inteligências e perspectivas diferentes, o beco sem saída da arte contemporânea.

A conivência de pseudo-artistas (pessoas sem uma real formação em um ofício de arte) e sua vassalagem aos modus operandis dos que ditam o ritmo e a direção para a qual vai a máquina cultural, aproveitando-se da vaidade de sua época, e de uma mídia cujo foco está voltado para a polêmica e o escândalo colaboram para o impasse atual. Escândalo vende. Desespero vende. Crime vende.

Como tão pouca coisa se produz de bom em arte em terras tupiniquins (segundo os curadores da Bienal de SP), vamos expor o nada, dizem eles.

Afinal, os 8,5 milhões de reais disponíveis para se mostrar arte na Bienal são quase nada...  reflito cá com meus botões... será que em mais um pouco de tempo não vamos descobrir um segundo Banco Santos se apropriando da arte para propor falcatruas?


Ai, ai, Bienalle... tu est pourrie....

 

je m´en foutA bandalheira vem de longe. Tentei participar da Bienal de SP uma só vez, com pinturas enormes, com temas da Mitologia e do antropofagismo, em 1992, no começo de minha carreira, quando retornei ao Brasil.
Logicamente, minhas obras não interessavam aos curadores da época, apesar de meu nome já despontar na cidade onde o gosto estético é o mais apurado do Brasil, em Curitiba.


Neste ano, um "artista" desconhecido Paranaense expôs um banheiro cheio de palavrões e xingamentos na Bienal de SP, dizendo ter feito uma pesquisa séria nos banheiros da Rodovia Régis Bittencourt...

artigo publicado no O ESTADO DO PARANÁ, pelo artista Sérgio Prata, no dia 17 de novembro de 1992.

Sobre a vergonha Paranaense, escrevi um artigo para o Almanaque do Estado do Paraná. Neste artigo, cujo título correto seria o termo pejorativo Je m´enfoutisme... do Francês, descrevi um pouco o ambiente da época... que não mudou muito desde então, só se esvaziou mais...

Mais tarde descobri que este tal "artista" era protegido por uma crítica de arte de sua terrinha do interior na capital paranaense e que ele tinha um "tio" político (com as mesmas tendências que ele) que o protegia... enganou a muitos porém não à todos... mentiras de participações em importantes eventos internacionais e coisas chocantes foram seus métodos para preencher o vazio do ensino artístico no seu estado, em sua geração.

Meu professor Abraham Pincas dizia que os novatos precisam destruir o já feito, chocar com coisas fortes, para chamar atenção.
Quando você trilhou um bom caminho, pode se dedicar a fazer coisas estáveis, equilibradas, na Arte.
Olhando parte da produção "cultural" que aparece na mídia que olha a Bienal SP e em outras manchetes do mundo da Arte e do crime (ambos se confundem, muitas vezes nas manchetes recentes), percebemos que são fruto da obra de novatos. No Brasil recente, vemos vídeos de ladrões roubando museus de portas boquiabertas, e nenhum alarme soa... ou quase nenhum, nos que ainda insistem em viver com o foco na cultura...  

Meu artigo no ESTADO DO PARANÁ foi elogiado por artistas sérios na capital Paranaense, ... e virei motivo de piada, em alguns círculos da molecagem dos contemporâneos, fui um pouco desdenhado por iniciantes sem formação, adeptos de l´enfant terrible autor do banheiro dos xingamentos..... por ter empregado o termo lixo cultural, emprestado de Ferreira Gullar, em seu livro Argumentação contra a morte da Arte, faz uma excelente reflexão sobre a repetição da destruição e o esvaziamento que decorre da repetição da destruição, que serve como uma luva ao vazio da Bienal.

Mexer nestes fatos que geram polêmica, que fedem, altera alguns ânimos, principalmente os dos que rosnam em frente da carniça dos espaços públicos, das verbas oficiais, numa verdadeira fogueira das vaidades na dança da antropofagia das oportunidades.

Alguns fazedores de "coisas chocantes" estão disposto à tudo por espaço na mídia. Disto também queixavam-se alguns repórteres, como minha amiga Adélia Maria Lopes... Muitos destes fazedores de "coisas chocantes" vivem visitando as redações, puxando o saco, para levar matérias com pouco conteúdo... Os repórteres cansam-se disto...
fui elogiado por aparecer pouco na redação, só dando as caras quando tinha uma boa exposição para o público Paranaense...

Como diria meu pai, o desembraguilhador Miguel (o termo é uma alusão ao fato dele ter feito 7 filhos):
-" Eu não sou ovo, por que é que querem me chocar?"

Desde o começo da década de 90, cansado de ver os jogos com as cartas marcadas nos eventos particulares e oficiais, os tais dos salões-falcatruas, concursos com pré-ganhadores indicados e as Bienais dos guetos, decidi que não mais participaria destes eventos.

Só participei de um, como parte integrante do júri, e fui muito respeitado e ouvido por gente grande das Artes, como o meu caro professor Evandro Carlos Jardim, da USP, que participava do grupo.

Após ver pneus estourados ganhando prêmio de escultura, ratazanas dentro do formol e papel queimado em lugares de destaque nos salões, palavrões na Bienal, percebi que aquela casa da mãe Joana que eles propunham como sendo arte não merecia minha participação. E que não havia debate possível.
Abstive-me destes engodos. E o fiz com elegância.

Mas nunca me abstive da Arte.

Hoje pululam os convites-armadilhas, para salões, exposições, participações, onde o artista é a caça e os marchands são os caçadores.... somas importantes são demandadas para cada participação. Criaram uma verdadeira máquina de eventos, para captar recursos e manter os cartolas e atravessadores da arte. Muitos deles vivem bem, em regime de captação das veias dos artistas, tais quais vampiros sedentos....
Por isto convém olhar os dentes caninos que vem escondidos em cada um destes convites, que nos chegam todo dia...

Decidi que meus grandes prêmios seriam a partir de então, as encomendas que chegavam ao meu atelier, afinal havia estudado em uma das melhores escolhas de Arte do mundo, a Ensb-A de Paris, e detinha desde a década de 80 o domínio diversos ofícios dentro das artes plásticas, raríssimos e até inexistentes em nosso país.

Se hoje sei muito em técnicas e em arte, é porque ainda estudo muito, e porquê pesquiso com humildade, e faço questão de partilhar os conhecimentos tão raros em nosso país com meus colegas de profissão. Quanto mais pesquiso, mais percebo que existe muito mais a ser estudado. Então, apesar de parecer arrogante, por dizer que sei bastante, ainda mantenho humildade diante dos verdadeiros mestres e especialistas.

Quando em 1995, lançava meu primeiro livro de Técnicas de Pintura em São Paulo, deparei-me com a mídia viciada em escândalos, que já fazia vigilância estética sobre tudo o que era compreensível, ou figurativo. A busca por algo chocante, pela bandalheira, já dominavam as redações dos grandes jornais e TVs da grande SP. A arrogância e o descaso já eram freqüentes...deixa para lá. Dá um enorme texto, que quem sabe um dia escrevo... Para obter uma matéria no Metrópolis... fui obrigado a tecer argumentos... dar voltas, e quase usar das mesmas estratégias que a grande mídia demandava... somente para divulgar um livro cuja meta era partilhar conhecimentos raros ao público.

São Paulo sempre foi um gueto fechado, talvez por isto, desinteressei-me por uma carreira na cidade do trânsito entupido, das inundações, dos crimes da arte na mídia (que por inúmeras vezes se confundem)...

Não vou perder nosso tempo tentando refrescar a memória dos leitores, pois afinal, poucos lêem um texto tão longo... 

Só aceitei participar da Bienal do México em 2008, por desejar conhecer o país dos grandes muralistas e pelo reconhecimento da organização da Bienal ao conjunto de minha obra. Foram 16 anos de jejum das participações em salões. Quando finalmente participei de uma Bienal, ganhei um prêmio de muito valor, pois éramos 270 artistas de 36 países... Se fui escolhido pelo júri internacional, é porquê realmente o público e os artistas ficam impressionados com minhas obras trifásicas, uma inovação técnica surpreendente...

Por ter sido convidado numa espécie de hors concours... Fui, participei e venci.

Fácil mostrar na França, na Grécia, no México, difícil mostrar no Brasil....

Por vezes, parece que para expor por aqui você tem que fazer parte de uma fauna cujo DNA não mais lhe pertence....
risos...

Por ter ganho um prêmio em um Bienal internacional, cheia de artistas, um evento que refletiu sobre a crise da arte contemporânea, em plena crise ambiental e financeira mundial, me permito, somente agora, escrever um texto sobre a

BIENAL DE SÃO PAULO

Na edição de 2008, a Bienal de SP, cuja administração teve à sua disposição (pasmem) 8,5 milhões de reais (segundo informações veiculadas pela mídia) cujo destino deveria ser o de levar Arte ao público Brasileiro, delegou a função à uma curadoria desastrosa que de forma arrogante e impositiva, propôs um andar vazio, sem propor arte nem nada que o valha.

Minha gente, com 8,5 milhões eu acho que dava para construir um tipo de prédio novo só para a Bienal ? Estou desinformado dos preços? 8,5 é pouco para vocês? Não dava para colocar nada lá dentro?

O ato provocativo da curadoria inspirou indignação entre muitos artistas Brasileiros, e como resultado, o prédio da Bienal passou a servir de palco para o vandalismo e a pichação...

È gozado, um homem nu no meio da rua é atentado ao pudor, em uma Bienal, é arte... Um xingamento em uma rua é rechaçado pelos insultados.... em uma Bienal virá coisa interessante.... convite ao debate...

Como diria a minha mãe, a escritora (muitas vezes premiada) Lola: - "viadagem tem limite".... hahaha!!!

Foi tão provocativo que até eu estou perdendo, finalmente, um pouco de tempo para escrever este texto...deixei de pintar, hoje que meu atelier está limpinho, para escrever este relato-desabafo-sei-lá-o-quê sobre esta gente que não vejo nem interesse em conhecer (os tais da bienal SP), pois é gente que não acrescenta em cultura.
Por não ter interesse em conhecer curadores cujo "trabalho" só deu em cáca, peço à eles que nem leiam o que eu escrevo. Deixem para lá...sou da turma do deixa disto... Aliás, esta é uma boa idéia, alguns de vocês curadores de arte contemporânea, deveriam deixar do que fazem...pois o fazem muito mal... são vergonhosos.

Envergonham os que amam a arte e a cultura de qualidade em nosso país...até além de nossas fronteiras...

Imagino o que os curadores de Chapingo, no México fariam com 8,5 milhões....Note bem, alguns deles eram artistas, sabem o trabalho que dá fazer um mosaico monumental....
Lá deu para perceber que dinheiro não faz uma Bienal. Sem índole, não se reúne artistas  

C´est pas la peine
de me processar por este texto, meu advogado é bom e adora receber telas em pagamento. Além do mais, eu não os insulto, só deploro o que fizeram. Não deploro suas pessoas, como uma Ana Maria deplora um corno recebido por uma amiga...A imagem é boa, vocês, curadores, cornearam a arte, a cultura...traíram a pouca confiança que a vida inteligente tinha na Bienal.
Entendam como uma lição, tenham a humildade de ver algo que funciona, e se espelhem no que funciona, para salvar o que têm de falido em mãos.

Diante das sucessivas vergonhas, bandalheiras e do descaso da maior parte das curadorias que usufruíram e se apropriaram da Bienal, muitos artistas se calaram, deixaram de freqüentá-la ou hoje só comentam à la petite bouche (à pequena boca, somente comentários em voz baixa, entre artistas).

Através da internet, algumas pintoras se articularam, criando sites, páginas no orkut e manifestações virtuais de desagravo. Eu preferi me calar, e me manter como observador desta maladresse, de curadores que não curam dores, somente a aumentam...

Lá no México, os comentários entre artistas Brasileiros também foram de decepção, ao se constatar a grande perda de uma oportunidade e de um espaço. Quantos são aqueles que, com boas propostas, com obras de qualidade e muita dedicação, teriam condições de colaborar com arte e cultura para o sucesso deste evento?... gerando uma real discussão sobre o mundo atual?

A Bienal de Chapingo, no México, organizada com poucos recursos, com problemas próprios de iniciantes, teve um grande diferencial: a presença de um artista como Diretor (Juan Jorge Diaz Rivera) e de alguns museólogos, reitores... Se esta nova Bienal tem muito a aprender em infra-estrutura de acolhida dos artistas, tem algo essencial a nos ensinar. Apesar de ser embrionária, nasce com um debate importante sobre a falência dos modelos de Bienais mundo afora (a de SP incluída).
E tem os ouvidos abertos às sugestões dos artistas. Eu mesmo, aqui do interior de meu atelier em Bragança, sugeri o nome de 3 artistas ao comitê organizador, e eles foram convidados, marcaram presença. Estiveram por lá com suas obras, visitaram a arte e a cultura do país e levaram suas obras. 2 deles, Luciano Mello (escultor de mão cheia) e sua esposa Margherita Leoni (pintora da flora Brasileira) são formados pela academia de Brera, e possuem trabalhos de grande qualidade, sucesso na Itália. A outra pintora, uma ex-aluna Francesa tem um trabalho de trompe l´oeil e também teve a oportunidade de participar.

No Brasil, quem quiser, que participe de uma mostra paralela. Que deve ser o que segura alguma coisa interessante neste período, em SP.  O salão dos refusés começou assim, com grandes artistas, os que vingaram, de sua época... todos segregados dos circuitos oficiais, que já estão caducos, empoeirados, com o seu novo-contemporâneo falido e velho. Nada de novo no contemporâneo, quando ele é alienado da realidade do mundo....
Algumas promessas jovens, como a talentosa Tiffani Hollack (pintora de arte tibetana) antes ventiladas para a Bienal de SP, não se confirmaram....

Eu conheço alguns escultores contemporâneos no Brasil que possuem um talento de um Rodin (e olhe que eu já esmiucei o Museu Rodin de Paris, nas visitas que fiz durante 2 décadas ao seu espaço), alguns pintores dignos do títulos de mestre (e olhe que eu já visitei museus maravilhosos em mais de 15 países) algumas de suas obras certamente aumentariam a auto-estima, o valor do artista e do nível cultural do Brasileiro. Porquê não divulgá-los em um espaço nobre como o da Bienal ? Pois existe uma vigilância estética.... o buraco é mais fundo...

E artistas em outros países que certamente enobreceriam o espaço, com obras de qualidade, e não obras de sacanagem com o espaço público, travestidos em linguagem contemporânea.
 
No Brasil, Peticov e sua esposa organizaram uma manifestação no local, que foi veiculada pela mídia Brasileira, com conteúdo que tentava minimizar a real amplitude dos artistas por eles representados. Simplesmente, eles foram até lá. Muitos estavam com eles, em seus comentários, em suas casas, em lugares distantes. Mas a mídia tentou minimizar aquilo que não é um sentimento solitário.

A passagem nefasta (portanto não inovadora neste sentido) dos curadores pela Bienal resultou em um fato inédito, distante da verdadeira vocação do evento...a prisão de uma pichadora, entre os 40 que participaram de um ato de rebeldia e vandalismo...
Eu até que gostaria de oferecer um curso para a tal da Caroline Piveta, para ver se ela aprende um pouco de arte, de técnicas, e aproveita a sua fama para fazer algo de bom... Está convidada, pichadora, venha com o seu amigo taxista, eu te dou uma bolsa de estudos. Venha ter uma aulas de graça em meu atelier....
Pensei em doar um obra de minha autoria para o juiz, promotor, secretario, advogado, ministro, governador ou outro que fosse capaz de libertar a pobre coitada da jaula, da gaiola.... seria uma obra trifásica... de dia, o vazio da bienal, de noite, as grades, no ultravioleta, o retrato da menina....

São muitos os que se revoltam com a "galinhagem" de alguns curadores. Poucos os que vão enxotar as galinhas dentro do terreiro. Por falta de ocupação dos espaços, a galinhagem se instala...
E desta vez, resolveram prender uma "ladra de galinhas", a menos ágil de uma bando de 40, que ainda tinha um spray na mão...
Em vez de prenderem o tal do curador, ou alguns do grupo coniventes com o desaparecimento dos 8,5 mi, resolveram prender uma piveta de galinhas. Histórias da justiça tupiniquim, prende-se o ladrãozinho de galinhas, que vira o bode (ou poule) espiatório dos grandes sorvedores de recursos e espaços públicos, travestidos em curadores.

Na próxima bienal, tem que ter algum tipo de galinha lá dentro da Bienal, fazendo sucesso senão eu nem olho as notícias...pois a decadência do conceito de arte em nosso país merece o arremesso de um par de sapatos... somos todos hu-milha-dos neste imenso hu-milharal da Biannual, Biennalle, Bienal...

Não é de hoje que eu percebo que tem gente grande, bem posicionada, de grande poder, que adora se apropriar dos espaços de arte, como meio de espiar seus pecados.... associando-se à museus, pinacotecas, fundações, grandes empresários conseguem por vezes travestir suas intenções de enriquecimento ilícito e sede de poder em "benevolato" por uma causa nobre de cunho cultural.... bom para refletir...verdade ou mentira... Banco Santos... por vezes, eles nem entendem tanto de arte, e acham o tal do Benedito Calixto um artista menor, enquanto ocupam a presidência de uma Pinacoteca para tomar ares de sou bonzinho enquanto se entopem de verbas, com movimentos de contabilidade...
Escondem-se atrás da arte para dar um ar de refinamento ao quanto são carcamanos, sem cultura, despreparados, rústicos....
Desta maneira, o Masp tem sido implodido. Outros museus e fundações são esvaziados de alarmes.

A Bienal de SP tem sido boicotada por muitos artistas, que nem sequer a visitam mais, tal o seu esvaziamento de sentido e conteúdo, que antecedeu em muito o seu esvaziamento de obras. Será que já não é hora de esvaziar a Bienal de seus curadores ?! Existem os que o cogitam.

Se o cartola impede a presença da bola e dos jogadores e pega uma montanha de dinheiro para mostrar um campo vazio e nu aos torcedores, não é de se pensar em formar um pool de jogadores, para que a manutenção do jogo seja possível? 

Em vez de jogar o foco na obra de qualidade de artistas sérios, capazes de levar arte até o público, representando bem nosso país além de suas fronteiras, a Bienal SP convida o foco da mídia ao vandalismo, à revolta, à invasão e à prisão. 

A Bienal de SP vem se degradando, transformando-se em um espaço de escândalo, mal gosto, escândalos financeiros, pornografia, nudez, vazio, vandalismo, invasões, gritos, correria e prisão.

Muitos artistas Brasileiros, que possuem uma obra com qualidade reconhecida em outros países, não são convidados à levar arte e inovação ao público Brasileiro. Em lugar disto, sobra lugar para o charlatanismo, a bandalheira, o vazio e para tudo o que nele se instala.... Poucos críticos e pensadores de cultura, como Ferreira Gullar (leia: Argumentação contra a morte da Arte) e Affonso Romano de Sant´Anna (Leia Desconstruir Duchamps, o livro inteiro) tem a coragem e competência para refletir sobre o enorme impasse ocasionado pelo gueto que se apropriou do conceito da arte contemporânea... 
O mesmo autor acaba de lançar um livro sobre o vazio na arte, que certamente é muito bom, ele deve ter colocado os pinguinhos em cima dos is, antes de todo mundo, de novo... o tal do Romano, que é bom mineiro, bom carioca, bom Brasileiro, e que não cai em lorota mole tão fácil... 

Distanciando-se de sua verdadeira essência e vocação, a de trazer arte e cultura ao povo Brasileiro, de maneira experimental, inovadora, a Bienal está em plena, viçosa e bela crise. É uma adolescente cheia de espinhas na cara, que fez mal-criação e cuja última peripécia de misturar peladão com corrida no terreiro, em busca da galinha de ouro, tem suas motivações enjauladas em Carandiru....

Permitam-me criar imagens com meu texto, é só para criar um ambiente risonho, em um assunto sério. Para alegrar um pouco os insistentes leitores de meu site.

Diante desta deselegante degradação da cultura, só me resta constatar, em consonância com outros artistas Brasileiros, que o rei (a curadoria e sua Bi-anual de aluguel) está nu, sentou arrogantemente em seu trono e fez uma obra de m...na Bienal de SP.
E como se não bastasse, sentou em cima, quando chamou a polícia para prender os poucos manifestantes que se rebaixaram ao seu nível, esvaziando a Bienal de seu verdadeiro sentido.

Ao contrário do que pretendem alguns, a discussão no âmbito das Artes na América Latina não é frívola, superficial ou inexistente. Acabo de chegar da Bienal do México, onde houve uma real discussão dos problemas que afligem o mundo, neste momento de crise, com enormes desafios, onde é maior a necessidade de pensadores, de gente engajada, de artistas com propostas e soluções criativas e inovadoras.

A falta de engajamento por parte dos curadores, artistas, eventos, fundações, adeptos de modismos contemporâneos, dos gritos de suas modas, que se apropriaram do conceito da arte contemporânea para segregar boa parte dos bons profissionais do ramo das artes plásticas, através da vigilância intelectual e estética, só poderia dar resultados inexpressivos, como o vazio, os gritos, os escândalos e a prisão, que parecem ser os frutos mais conhecidos da Bienal de SP.

Que pena SP, com tanto talento disponível nos 4 cantos do mundo e sobretudo do Brasil, vocês parecem que não aprendem....

Melhora, Bienal SP, toma vergonha na cara e expõe arte de verdade, com qualidade, cultura, técnica e inspiração. Proponha uma discussão real sobre os enormes problemas de nossa atualidade, e não mais um passeio frívolo pelos jardins dos umbigos de seu gueto...

Cura nossas dores, Bienal....

Põe fora os cartolas, coloquem bons jogadores em campo e quem sabe assim dá jogo...

Eu, que pintei tantas Igrejas, entre elas a capela da Polícia Militar de São Paulo, gostaria muito de saber que antes do Natal, um juiz, promotor ou policial inspirado em Santo Expedito libertou a pobre menina, que ainda não teve a chance de conhecer muita arte, mas já sabe que o vazio dá margem à apropriação do espaço...

Dentro do espírito do Natal, acho que libertar esta pomba-gira, pomba-branca, ladra de galinhas, intitulada Piveta-a pichadora, seria talvez o único ato de bom senso, nesta vergonha nacional em que se transformou a Bienal de SP.

Voa Piveta.  E aprende a fazer arte, antes de dar as caras para o mundo novamente. Se quiser minha ajuda, estou por aqui.

Acorda Pivetada da Bienal. Amadureçam. Parem com a palhaçada.

A arte é a única solução de poesia para o mundo. Deixem-na existir.

 

 

REPERCUSSÃO: e-mails recebidos

Grande Artista Amigo, Boa tarde.

A Arte me proporciona momentos únicos, como este da Bienal do México ... em conhecer tanta Arte e Artistas. Ao conhecer Vc, tive a certeza de estar diante de um Artista Verdadeiro, Sensível e Preocupado com o Caminho da Nossa Arte. E não me enganei. É com imensa Felicidade que leio seu Texto e constato o Valor para Nós Artistas. Não só para libertar uma Estudante que se Expressou e não ficou no Vazio, mais para libertar nossa Arte deste tempo em que "tudo pode".

Amei quando fala da marginalidade da Arte como no caso do Oiticica...... e quando ao fato da Bienal estar na mesmice...... a parte dos Impressionistas que não faziam Arte...... o além-mar, o máximo! A gente com tanta Arte e vai se buscar além-mar......uma bienal vazia é uma Cultura Pobre - num País tão rico chega a ser Surreal...... e sobre o Verdadeiro Valor da Arte Contemporânea...Sem dúvida, muitos deveriam ter ido ao México ver e aprender o que é uma verdadeira Bienal de Arte Contemporânea... ou apenas aprender o significado da Palavra Contemporânea.

Valeu!

E Até.

Márcia Vinhas.
São Paulo

 

 

Prezado Sergio,

Primeiramente, desculpe-me a falta de acentuacao e cedilha... teclado estrangeiro tem (o nao! rs) dessas coisas...

Gostaria de parabeniza-lo pelo texto de 17 de dezembro sobre o caso da pichadora da Bienal de SP.
Eu, sendo artista (de outra area, a musical) entendo bem o que voce diz sobre os curadores (ou maestros...) e seus gastos com o vazio. A chamada "arte contemporanea" (e incluo a musica, tambem) tem muito artista bom, mas tem muita gente mediocre... por nao ter, ainda, o julgamento da historia, muito do joio ainda se sobressai ao trigo, infelizmente! Parabens, tambem, pela atitude de oferecer uma bolsa a Piveta. Espero que ela seja libertada, veja seu texto e se interesse! O "espirito contestador" que ela demonstra ter e' bom ao artista, se bem empregado!

Caloroso abraco,
 

Rafael Videira
www.rafaelvideira.com


 

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