PINTURAS FÁSICAS

Na década de 80, quando Sérgio Prata estudava no atelier de techniques de la peinture da Ensb-A de Paris, Abraham Pincas relatou as experiências que fazia com seus alunos em Israel, pintando com pigmentos normais no escuro. Tentavam sentir as cores, sem vê-las. Não podiam saber com que cores lidavam e faziam pinturas no escuro. Ao acenderem as luzes descobriam uma obra.

Desde então, o artista passou a desenvolver este exercício, aprimorando a sensibilidade e percepção sensorial das cores, tentando captar as suas temperaturas, sem observação direta, pela proximidade das mãos, quando fazia centenas de retratos.

Levando em conta a fisiologia das cores segundo o tratado de Goethe, Prata iniciou sua carreira profissional em 1983, com sua primeira exposição, mas foi após o ano de 1986, a percepção tonal, tentando ampliar os canais de sensitivos, que aprimorou o tato das cores, sem observação direta.

A técnica de pintura bifásicas teve seu início em outubro de 1996, e tornou-se um procedimento de pintura artística. Após décadas de pesquisas em técnicas de pintura, conhecendo uma ampla gama de pigmentos e trabalhando em todas as técnicas da história da Arte, o artista buscava inovação.

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escobrindo a existência de filtros e pigmentos ainda não utilizados pela indústria de materiais artísticos, e após muita insistência com fornecedores do Brasil, Inglaterra, Portugal e Japão, o artista enfim obteve os materiais que lhe permitiram desenvolver novas tintas: pinturas invisíveis sob a luz do dia, porém visíveis sob luz ultra-violeta. Pigmentos e filtros que possuem a capacidade de captar luzes diferentes.

Com estes materiais, manipulados no atelier, Prata elabora pinturas que podem ser vistas na luz normal, com pigmentos convencionais. Porém, quando apagamos as luzes do atelier, na escuridão total, vemos a obra de uma forma diferente: fosforescente. Acendendo a luz ultra-violeta, vemos a terceira versão: a fluorescente.

 


HISTÓRICO
Em outubro de 1996, Sérgio Prata aglutinou cera de abelha emulsionada e pigmentos fosforescentes e criou uma nova tinta, muito resistente, que lhe permitiu pintar na obscuridade total, a face do santo Sudário, sobre o peito do Pantocrator, da abside da Igreja Santa Terezinha em Bragança.
Com esta encáustica fosforescente fez suas primeiras obras bifásicas, onde podemos ver uma pintura sob a luz do dia e outra na obscuridade.
 

Pintura da abside e do frontão da Igreja Santa Teresinha, de Bragança (SP).

De dia, vemos o Cristo Pantocrator.

De noite, na completa escuridão, vemos o Santo Sudário.

Os anjos músicos também são fosforescentes.

Ao mesmo tempo, Prata pintou as obras que resultaram nas exposições Contrastes (Hotel Hilton São Paulo) e Fosforescências (galeria Dell´Arte - Curitiba) com cerca de 40 pinturas bifásicas do artista. 
A exposição de Curitiba mereceu matéria em rede nacional no programa Bom Dia Brasil, com belos comentários do repórter Renato Machado, TV Globo.
 


AS OBRAS TRIFÁSICAS

Em 1997, após longa pesquisa, o artista encontra os raros materiais com os quais aglutina suas primeiras tintas invisíveis à olho nu, e pinta na obscuridade, sob luz ultra-violeta. Nascem as primeiras obras trifásicas.

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As obras de arte trifásicas fazem alusão à sutileza do ser. As pessoas e as obras de arte nem sempre são tão simples como as percebemos, em um primeiro olhar. Observando melhor, sob novas condições de luz e de obscuridade, temos a chance de contemplar revelações, descobrindo mistérios encobertos.
Revelar, em transparência, um novo mundo, sutil e quase imperceptível, é o fruto de um longo estudo e a maturação de um longo processo. Estas obras devem ser apreciadas em diferentes luzes e na obscuridade, pois foram criadas nestas condições. Cada uma delas é revelação.  "

Sérgio Prata 
 

Na obscuridade, surge outra imagem sobre a mesma tela.

O que você vê de dia é diferente do que você vê na obscuridade.

Revelação.


Para realizar estas obras o artista pinta no escuro e na luz. Quando existe luz normal, pinta a pintura visível de dia. Ao apagar a luz, em plena obscuridade, pinta a obra em fosforescência, que se revela somente no escuro. 
Ainda no escuro, acende uma luz ultra-violeta e pinta a fluorescência, que se revela somente nas mesmas condições.
Desta maneira, as obras trifásicas de Sérgio Prata podem ser observadas em 3 situações: sob a luz normal, na obscuridade total e sob a luz negra, no escuro.

TRIFÁSICA: TRÊS PINTURAS NA MESMA OBRA DE ARTE 
Cada obra contém, na realidade, 3 pinturas distintas.  Com esta nova possibilidade, por vezes associamos pensamentos, criamos um raciocínio, desvendando o que pode haver por trás de uma cena. Para que estas obras possam ser observadas, necessitamos de uma sala onde possamos obter a obscuridade total, mesmo durante o dia.

 


Na tela de São Sebastião, a primeira tela trifásica, percebemos o Mártir ferido sendo amparado por Irene, na visão diurna.
Na visão noturna, uma mulher sensual aparece.
Na visão ultra-violeta, surge o homem despido.


Coleção particular.


OBRAS TRIFÁSICAS NA ARTE SACRA
No painel da capela de Schoenstat da Cristo Rei de Atibaia, sob luz normal, vemos a cena da anunciação e da marcenaria.
Quando  acendemos as luzes U.V. surgem anjos elevando Maria aos céus (Assunção) e unindo em um abraço o menino Jesus e José.

No painel da Capela Universitária da Univap, em São José dos Campos, durante o dia, vemos um perfil do logotipo da Equipes de Nossa Senhora, sobre um fundo azul texturizado. De noite, com as luzes apagadas, podemos ver anjos músicos, sob a incidência da luz Ultra Violeta, colocada nos refletores laterais.


OBRAS TRIFÁSICAS PARA COLECIONADORES



Obra trifásica - coleção particular do Dr. Eugênio Mussak, São Paulo (SP).
Sob luz ultravioleta, podemos ver o corredor. Em fosforescência e em ultra-violeta, vemos o casal.


Em 2002, em visita à Sennelier, na Bretanha, quando indagado pelo Presidente, vice-presidente e chefes do laboratório, sobre quais os materiais que ainda poderiam ser produzidos pela renomada empresa Francesa, Sérgio Prata aconselhou a fabricação das tintas UV. O resultado da fabricação lhe foi entregue pessoalmente, por Jean-Roch Sauer, vice-presidente da empresa, em 2006, na mesma indústria, para testes. Com os materiais franceses e de outras proveniências, Sérgio Prata pinta obras trifásicas, desde 1997.



Veja outras fotos desta obra

Obra trifásica - coleção particular - New York USA - 2005.



O artista mostra suas obras trifásicas, em 2008.

 



Vernissage

 




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