IGREJA DO ROSÁRIO, Bragança Paulista (SP).

RESTAURAÇÃO DO VITRAL DO CRISTO REI

 
O vitral sofreu graves danos ao sofrer uma queda de cerca de 10 metros, durante um vendaval em novembro de 2003.
Os cacos do vitral chegam no atelier, onde são organizados, na tentativa de montar o que restou da imagem. Com o auxílio de uma fotografia, conseguimos montar algumas partes do vitral.
Outras peças decorativas totalmente quebradas são refeitas em glasura sobre vidro, seguindo o padrão e cores do original. Detalhe da pintura da mão que abençoa. A pintura é feita com pigmento próprio para glasura em vidro, que se fixa através da queima entre 520 e 620 graus no forno do atelier.
   

Após a pintura e sua queima, o vitral é montado na técnica tradicional do chumbo, sobre uma mesa de madeira.As peças são mantidas no local com o auxílio de cravos especiais. Uma vez concluída a colocação do chumbo, as peças são soldadas. 
   
 
A face visível do lado interno do vitral tem o seu chumbo amassado, para evitar vazamentos. Uma massa especial, composta de carbonato de cálcio, gesso, óleo de linhaça ou mastique é colocada no verso do vitral, para consolidação. 
   
 
Com o auxílio de serragem limpa, o excedente da cimentação é limpo, em ambos os lados.
A limpeza fina se faz com o auxílio de espátulas e escovas.
   
A instalação é feita no local, com equipamento de segurança. O vitral é instalado com fixação metálica e argamassa especial sobre o caixilho.
 

VITRAIS DAS PORTAS DE ENTRADA
 
O vitral é colocado sobre a mesa de luz, antes de ser desmontado. As peças quebradas são refeitas com vidros importados e grisalha queimada em forno.

RESTAURAÇÃO DA CAPELA DO SANTÍSSIMO

As obras de arte da Igreja do Rosário constituem uma importante parte do acervo de arte religiosa de Bragança Paulista. A igreja foi inteiramente decorada pelo pintor Ligabue em meados do século passado. 
Na década de 70, as pinturas de Ligabue foram restauradas pelo pintor de arte sacra Bruno di Giusti, que recebeu também o encargo de pintar a capela do Santíssimo.


Deterioração na obra pintada por Bruno di Giusti,
causada por infiltração de água.

A pintura da capela do Santíssimo, de autoria do pintor Veneziano Bruno di Giusti é um bom exemplo de arte religiosa figurativa. Desta obra podemos aprender uma lição técnica essencial no muralismo. Ela exemplifica a fragilidade de uma pintura à óleo sobre parede, pois esta cria uma camada pictural estanque, que se descola do suporte (parede) quando a umidade desce através da mesma, quando o telhado sofre infiltrações.

Nossa equipe de restauro atuou na capela em 1995, re-fixando camadas picturais e reintegrando pedaços da pintura.
Na pintura em afresco ou encáustica à frio, o descolamento da camada pictural não ocorreria.

Para correção do problema, instalamos uma sub-cobertura de manta de alumínio, impermeabilizando o telhado. As ripas e telhas foram trocadas.

 

REFACIAMENTO DAS CAMADAS PICTURAIS
 

Para correção do problema, instalamos uma sub-cobertura de manta de alumínio, impermeabilizando o telhado. As ripas e telhas foram trocadas.
 
As escamações da camada pictural são umedecidas para tornarem-se maleáveis e elásticas.  O papel é umedecido e recebe a cola reversível.
A superfície de base recebe a cola reversível.  O papel é colocado sobre as escamas, reposicionando a camada pictural em seu lugar.
Após a secagem, os papéis são umedecidos com o aspersor e retirados facilmente, graças à reversibilidade da cola.

As camadas picturais agora estão recoladas sobre o suporte.

Chega o momento de reinserir massa no suporte, para nivelar a camada de pintura.

A reintegração pictural é feita na técnica de restauração, o trattegio, com tinta reversível e hachureamento, tornando a reinserção imperceptível ao leigo que observa de longe, porém perceptível ao restaurador que observar de perto.

A limpeza e refaceamento também foram feitos na cena dos apóstolos crianças.

Equipe de restauro:

Nirceu Helena, Sérgio Prata e Clayton Caner.

Agradecimentos: 

José Carlos, Monsenhor Giovanni, José Batista, Nê Bonini, Bragança Jornal.