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CATEDRAL METROPOLITANA
DE SOROCABA
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A abside da Catedral de Sorocaba
possuía uma pintura de Tomazzini, datada de 1930. Por iniciativa do Padre Tadeu
Moraes,
iniciamos um novo projeto de pintura para este espaço, propondo
a marouflagem de
um novo suporte, para proteger a pintura anterior, possibilitando uma futura
restauração da pintura original. A Comissão do Patrimônio Cultural da cidade aprovou o projeto atual, e por motivos éticos, insistimos em facilitar a preservação da pintura anterior, utilizando o procedimento mais indicado para este caso. ![]() Foto do início da obra. 28 de fevereiro de 2007. O procedimento de marouflagem adotado envolve a colagem de um papel (camada de intervenção) com possibilidade de reversibilidade, o que facilita a restauração da pintura anterior. A cola é passada sobre a parede, fixando e refaceando a pintura anterior, sem destruí-la. A pintura é coberta, podendo ser descoberta posteriormente. Desta maneira, o suporte é preparado sobre a pintura anterior, sem avarias à camada pictural da pintura encoberta. A nova pintura, inspirada no projeto acima, representa um Cristo Pantocrator, ladeado por anjos músicos. A pintura é feita com pigmentos e tintas acrílicas, em técnica mista de cera emulsionada sobre o papel marouflado. |
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A transferência do desenho do projeto é feita sobre as paredes da abside, com um crayon sanguíneo. As correções e definições da anatomia, das projeções e dos escorços, assim como os acertos e definição da composição são feitas no local e no momento da obra. Os drapejamentos dos anjos (figurativos) são levemente geométricos, servindo como ligação estética com o tratamento bizantino tradicional do Pantocrator. |
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A pintura das cores de base é iniciada, com emulsão de
cera e pigmentos, técnica muito resistente ao clima tropical. As cores do fundo começam a surgir e logo após, inicio o trabalho de modulação de luzes e sombras das figuras, largamente, sem muitos detalhes. Desta maneira a obra cresce e evolui uniformemente. |
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O rosto do Cristo é inspirado no Mandylion. |
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Anjos músicos pairam sobre nós em uma sinfonia silenciosa... |
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![]() Vista da abside após a pintura do Pantocrator, de Sérgio Prata. |
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![]() Vista da abside com a cúpula. Os evangelistas da cúpula são de autoria de Bruno di Giusti. |
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![]() Vista do altar a partir da entrada da Catedral. |
![]() Vista da abside com o altar e cúpula. |
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PANTOCRATOR – Catedral de Sorocaba – Sérgio Prata 2007 No
fundo azul do Cristo, elementos da flora brasileira com especial destaque
para os copos de leite e lírios. Trata-se de um apelo aos cristãos para
que acreditem na providência Divina. Sempre admirei a poesia e a esperança
da mensagem Bíblica: "Olhai os lírios do campo..." Para
mim – artista – crer na providencia Divina é essencial. Vivemos o
provisório. Não temos certeza do amanhã. Viver serenamente o presente,
observando a beleza da criação, apaziguando toda inquietude, é fruto da
esperança, da confiança em Deus, que tudo vê, e que a todos ama, em sua
providência. Seguindo
esta constatação histórica, o fundo do Pantocrator recebe discretamente o
tema da natureza brasileira, com suas strelitzias, guaimbés e copos de
leite. Os
anjos músicos sempre surgem em minhas pinturas nos lembrando que somos
convidados ao louvor. Na sua multiplicidade surge a diversidade da cor, do
sexo, da beleza e da forma. Da diversidade dos instrumentos: metais, cordas,
sopro, percussão e até o berimbau (tipicamente brasileiro) a harmonia.
Entoam silenciosa sinfonia que respeita nosso desejo de paz interior e se
integra à nossa salmodia. Meus anjos são acalorados pelo calor do sol tropical e o contrário
dos anjos Bizantinos, inteiramente cobertos por mantos, movem-se com
drapejamentos em movimento, como que voam soltos pelo céu cor de terra, em
tom acolhedor. A
Arte serve para nos propor uma solução
poética e espiritual e não simplesmente representar o caos do mundo. Isto
também me lembra a mensagem contida nos Evangelhos que não somos deste
mundo. |
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